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Postado em 26 de Janeiro de 2015 às 08h45

Sonho da casa própria deve ficar mais distante em 2015

  • Firme Negócios Imobiliários -

A tendência de alta da taxa básica de juros (Selic) deve dificultar o acesso ao crédito imobiliário neste ano, segundo expectativas da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

A alta dos juros básicos provoca uma elevação generalizada das taxas cobradas pelos bancos nos financiamentos de imóveis, o que torna os empréstimos mais caros.

Para o presidente da Abecip, Octávio de Lazari Júnior, os compradores precisarão optar por adquirir um imóvel mais barato ou adiar a aquisição para quando as taxas de juros diminuírem.

“Em vez de comprar um imóvel de 60 metros quadrados, o comprador pode ter de buscar unidades menores para compensar o custo extra”, diz o executivo.

Outra opção é dar um valor maior como entrada no financiamento para fazer com que o valor das parcelas caibam no bolso. Segundo dados da Abecip, os brasileiros pagam, em média, 35% do valor da unidade como entrada e financiam os 65% restantes.

Nos últimos dois anos, houve uma desaceleração expressiva no número de empréstimos realizados para a compra de imóveis no Brasil. Enquanto os bancos financiaram 375 mil unidades em 2014, em 2013 foram concedidos empréstimos para a compra de 365 mil imóveis. Em 2012, o número de unidades financiadas foi de 285 mil.

Ou seja, o crescimento de unidades financiadas entre 2012 e 2013 foi de 28% e, de 2013 para 2014, de apenas 2,4%.

A Abecip não divulgou uma estimativa sobre qual será a evolução do número de unidades financiadas em 2015, mas afirmou que o valor total do crédito concedido para aquisição da casa própria deve crescer 3,5% neste ano.

Acesso é mais difícil no caso de imóveis de alto padrão

O aumento do custo do financiamento deve ter impacto menor no caso da compra de imóveis que se enquadram no Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e que utilizam recursos da poupança.

O SFH engloba financiamentos de imóveis de até 750 mil reais nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal e de até 650 mil reais nos demais estados.

Para Lazari, da Abecip, os bancos já cobram uma taxa de juros considerada alta para essa modalidade de crédito.

Isso porque, no SFH os juros e outros encargos do financiamento não podem ultrapassar a taxa de 12% ao ano, sem considerar os seguros e a taxa de administração, que também são cobrados no empréstimo.

Já no caso de imóveis com valores superiores ao teto do SFH, que fazem parte do Sistema Financeiro de Habitação (SFI), o impacto da alta dos juros tende a ser maior, diz Lazari.

Se os preços dos imóveis continuarem a registrar valorização esse ano, também devem elevar o custo dos financiamentos, tanto no SFH, quanto no SFI e, como consequência, devem restringir ainda mais o acesso ao crédito.

Competição entre bancos deve limitar custos

A Caixa Econômica Federal anunciou o aumento das taxas de juros cobradas para seus clientes. Agora, quem financiar um imóvel no banco pagará, no mínimo, 8,5% de juros ao ano, caso sejam servidores públicos que recebam salário pelo banco. Antes, a taxa mínima praticada pelo banco era de 8,0 ao ano.

O aumento das taxas foi maior para empréstimos de imóveis de valores mais altos, que não se encaixam no SFH.

Apesar de a Caixa ser o banco que mais concede crédito para a compra da casa própria no país, o presidente da Abecip afirma que a competição entre os bancos públicos e privados no financiamento imobiliário é grande e pode oferecer opções ao comprador.

De acordo com ranking de taxa de juros divulgado pelo Banco Central (BC), referente a dezembro de 2014, o Banco do Brasil cobrava uma taxa média de 6,08% ao ano em financiamentos de imóveis de até 750 mil reais, taxa menor do que o juro médio cobrado pela Caixa, de 7,31% ao ano.

A taxa média mais cara registrada pelos bancos privados em dezembro foi a do Itaú, de 9,67% ao ano.

Segundo levantamento do BC, os juros cobrados na compra de imóveis com valor maior do que 750 mil reais em dezembro variaram entre 8,42% a 14,76% ao ano, em média. 

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